quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mutualismo e mercados



Por Jakob Pettersson “Sushigoat”

Como mutualista, um socialista que apoiará os mercados sob a condição de que seja baseado no trabalho ao invés do habitual “fazer dinheiro do seu dinheiro” que te negocia sob o sistema atual do feudalismo de papel passado, eu não me incomodo de me denominar um “anarquista de mercado”. Ao menos que eu queira me distinguir dos anarquistas de não-mercado por vários razões:
  • A questão mais óbvia é que é um termo muito ligado ao “anarco-capitalismo”. Ora, mesmo embora eu de forma nenhuma temo o anarco-capitalismo e penso que se eles fossem coerentes nos direitos de propriedade lockeano eles rejeitariam o sistema de propriedade presente e as estruturas capitalistas tudo junto como os agoristas e uma enorme parte dos rothbardianos de esquerda tem rejeitado, eu não quero estar ligado com grupos de ideais, meios, fins, quadro ético, valores culturais, economia e todo esse barulho em geral. Eles incorporam todas as coisas que eu odeio do Libertarianismo (em L maiúsculo) americano [N. T.: Nos EUA tem-se o costume de citar Libertarianism, com L maiúsculo, ao se referir às políticas públicas ou ao partido político (no caso, Libertarian Party ou Libertarian) que visa atender a filosofia política do libertarianismo, mas não a filosofia em si].
  • O risco da adoração ao mercado: um mercado pode ser uma forma efetiva de satisfazer necessidades e desejos. Isto não significa que o mercado seja Jesus. Isto não significa que você deva amar o comércio. O mercado é uma forma em que as pessoas possam interagir com resultado positivo e, em muitos casos, não é o melhor.
  • Não dar tanta importância de que, mais do que qualquer coisa, o estado está nos impedindo de compartilhar. Enquanto os Quatro Grandes Monopólios (Dinheiro, Patentes, Tarifas e Terra) de Benjamin Tucker impedem as pessoas de concorrer, de um modo que tornaria impossível as propriedades privadas de grande escala sobre os meios de produção e que cria artificialmente grandes barreiras para entrar da classe trabalhadora, eu penso que faz algo pior: nos impede de compartilhar. O monopólio do dinheiro, junto com o monopólio da terra e impostos, força as pessoas em relações de mercado em que não teria sido necessário de outro modo. Também impede indivíduos de se tornarem auto-suficiente. É verdade que estamos impedidos da concorrência que destruiria a classe capitalista, mas a mensagem mais poderosa e igualitária é que estamos impedidos da cooperação.
  • Falar sobre toda a situação econômica em termos de mercado torna-se ridículo após um tempo. Charles W. Johnson é ótimo, mas sua definição de um “livre mercado” como “a soma de todas interações econômicas voluntárias” levaria a termos ridículos como “comunismo de livre mercado” e tal. Essa citação de Ian McKay descreve essa ideia muito bem:
“Eu particularmente gostei do seu 'Proudhon era um livre-mercadista porque ele se opunha à intervenção do governo na economia'. Por este critério Kropotkin era um 'livre-mercadista' (ou Marx, como minha carta sugere). Anarquismo, por definição verdadeira, se opõe a intervenção estatal em uma economia (não capitalista) livre porque é contra o estado — sem governo, sem intervenção!”
  • Isso tonar a diferença entre eu e, digamos, um anarco-sindicalista maior do que atualmente é. No fim do dia, se minhas escolhas por mudança social e política fossem votar para Ron Paul ou me juntar em uma revolução marxista de esquerda, você saberia que eu me juntaria ao último. A ideia geral do mutualismo é um sistema de economias locais, empresas possuída por trabalhadores, recursos possuídos de forma comum e estruturas de ajuda mútua. Compare isso com a vila de John Galt que muitos “voluntaristas” e “anarco-capitalistas” parecem ansiar. Estou indo para o lado deles ou dos anarquistas sociais? Eu me sinto desconfortável por partilhar muitas das semânticas deles.
Se você quer se identificar como um “anarquista de mercado”, ótimo, mas eu estou cansado do termo.


Traduzido por Rodrigo Viana. Para ler o artigo original clique aqui.




Sushigoat é um blog que aborda assuntos corriqueiros, bem como anarquismo.

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