quarta-feira, 18 de junho de 2014

Mutualismo: uma introdução



Por Kevin Carson

Mutualismo, como uma variação do anarquismo, remonta a P. J. Proudhon na França e Josiah Warren nos EUA. Ele é a favor, na medida do possível, de uma abordagem evolutiva para criar uma nova sociedade. Enfatiza a importância da atividade pacífica em construir instituições sociais alternativas dentro da sociedade existente, e fortalecer essas instituições até elas finalmente substituírem o sistema estatista existente. Como Paul Goodman expressou, “Uma sociedade livre não pode ser a substituição de uma 'nova ordem' para a antiga ordem; ela é a extensão de esferas de livre ação até compor a maior parte da vida social”.

Outros subgrupos anarquistas, e a esquerda libertária geralmente, compartilham estas ideias em certa medida. Se conhecido como “dualidade de poderes”, “contra-poderes sociais” ou “contra-economia”, instituições sociais alternativas são partes de nossa visão comum. Contudo, elas são particularmente centrais ao entendimento evolutivo dos mutualistas.

Mutualistas pertencem à um segmento não-coletivista de anarquistas. Embora somos a favor ao controle democrático quando a ação coletiva é necessária pela natureza da produção e outros empreendimentos cooperativos, não somos a favor do coletivismo como um ideal por si só. Não nos opomos ao dinheiro ou a troca. Acreditamos em propriedade privada conquanto que seja baseada na ocupação e uso pessoal. Somos a favor de uma sociedade em que todas as relações e transação sejam não-coercivas e baseada na cooperação voluntária, livre troca, ou ajuda mútua. O “mercado”, no sentido de trocas de trabalho entre produtores, é um conceito profundamente humanizante e libertador. O que nos opomos é o entendimento convencional de mercados, como a ideia que tem sido cooptada e corrompida pelo capitalismo de estado.

Nossa visão final é de uma sociedade em que a economia seja organizada em torno de trocas de livre mercado entre produtores, e a produção seja executada principalmente por artesãos e agricultores autônomos, cooperativas de pequenos produtores, grandes empreendimentos controlados por trabalhadores, e cooperativas de consumidores. Na medida em que o trabalho assalariado ainda exista (que é provável, caso nós coercivamente não o suprimimos), a remoção de privilégios estatistas resultará na recompensa natural do trabalhador, como Benjamin Tucker expressou, ser seu produto completo.

Por causa de nossa predileção por mercados livres, mutualistas, às vezes, entram em conflito com aqueles que tem uma afinidade estética pelo coletivismo, ou com aqueles por quem “pequeno burguês” é um palavrão. Mas é nossa tendência pequeno-burguesa que nos coloca na corrente principal da tradição populista/ radical americana e nos faz relevantes para as necessidades de trabalhadores americanos habituais. A maioria das pessoas desconfiam de organizações burocráticas que controlam suas comunidades e vidas profissionais, e desejam mais controle sobre as decisões que os afetam. Eles estão abertos para a possibilidade de alternativas descentralistas e de baixo para cima ao sistema presente. Mas eles não querem um Estados Unidos reconstruído na imagem do sindicalismo ortodoxo e no estilo da Confederação Nacional de Trabalho.

Mutualismo não é “reformista”, como esse termo é usado pejorativamente por mais militantes anarquistas. Nem é necessariamente pacifista, embora muitos mutualistas sejam realmente pacifistas. A definição adequada de reformismo devia articular, não nos meios que usamos para construir uma nova sociedade ou na velocidade com que nos movemos, mas na natureza de nossa meta final. Uma pessoa que está satisfeita com uma versão amável e suave de capitalismo ou estatismo, isto é, ainda reconhecível como capitalismo de estado, é um reformista. Uma pessoa que busca eliminar o capitalismo de estado e substitui-lo com algo inteiramente diferente, não importa o quão gradualmente, não é um reformista.

Ação pacífica” simplesmente significa não provocar deliberadamente o estado para repressão, mas sim, fazer o que for possível (nas palavras do lema Wobbly) para “construir a estrutura da nova sociedade dentro da casca da antiga” antes de tentarmos quebrar a casca. Não existe nada errado com resistir o estado se ele tenta, através de repressão, reverter nosso progresso em construir as instituições da nova sociedade. Mas ação revolucionária devia atender dois critérios: 1) devia ter forte apoio popular; e 2) não devia realizar até nós termos alcançado o ponto onde a construção pacífica da nova sociedade tenha alcançado seus limites dentro da sociedade existente.

Traduzido por Rodrigo Viana. Para ler o artigo original clique aqui.

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