quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Algumas notas rápidas sobre o que é e o que não é do Socialismo Libertário



Por Jakob Pettersson “Sushigoat”

Parece haver muita confusão sobre o que o socialismo libertário é, então eu decidi escrever abaixo algumas notas:

O socialismo libertário é anti-estatista, mas não necessariamente apátrida.

Essa é uma distinção importante. Embora a tendência comum de libertários socialistas seja ser a favor da completa apatridia, pode não ser necessariamente o caso. Comunistas de conselho, Comunalistas, Comunistas de esquerda, socialistas corporativos, todos deixam espaço para o governo se eles considerarem isso necessário. Parece haver uma tema comum de democracia participativa e governança face a face, ou da diminuição da ênfase da conquista do poder político. O governo é para ser mantido tão horizontal (e para alguns, local) quanto possível. O que é comum é também uma ênfase da mudança social e econômica FORA da máquina política, independente se a máquina política irá definhar ou permanecer de uma forma ou outra.

Controle do Trabalhador x da Comunidade

Não está sob acordo, dentro do movimento libertário socialista, se deve haver ou não o “controle dos tralhadores sobre os meios de produção”. Alguns acreditam que deve sim haver o “controle da comunidade” sobre o que tem sido produzido. Essa é uma importante distinção, por motivos óbvios. Mutualistas geralmente argumentam que os trabalhadores devem possuir suas empresas cooperativamente ou por meio do emprego autônomo, enquanto Comunalistas, como Murray Bookchin, argumentam que os consumidores devem ser os governadores do produto social, ao invés dos trabalhadores.

Comunismo não significa “propriedade coletiva”

Significa, como declarou Louis Blanc, “de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”. Isso quer dizer que a ênfase é sobre os direitos de acesso de fato, ao invés de títulos legais formais. Em sociedades igualitárias primitivas, os porcos, vacas, colheitas, plantas vizinhas e etc ERAM legitimamente considerados das próprias pessoas. Você não podia simplesmente pegar o gado ou a colheita das pessoas indiscriminadamente, exceto se você pedisse ou insinuasse em querer algo primeiro. O costume social era apenas dar se lhe pedissem para dar, sabendo que, mais cedo ou mais tarde, o outro agente retribuiria. Apesar da propriedade coletiva ou comum poder desempenhar um importante papel numa sociedade comunista, havia espaço para a propriedade individual, além de apenas a distinção de “propriedade pessoal” normal.

O socialismo libertário não é inerentemente anti-mercado

Apesar da maioria das vertentes libertárias socialistas enfatizar a cooperação, dizendo que o socialismo libertário é anti-mercado, isso é ser grandemente ignorante sobre a história do movimento. Proudhon e Bakunin, os padrinhos do movimento, ambos acreditavam em um mercado, baseado no valor-trabalho. Tem havido muitas ideias sobre sistemas de escambo local, cooperativas de crédito e mercados comunais [N. T.: mercado comunal é o sistema de mercado baseado em trocas entre comunidades, buscando adquirir bens ou serviços produzidos por outra comunidade. Podendo ser trocado por alguma certificação remunerativa, como cédulas de trabalho (do inglês, labour notes)]. Assim como nem todos os socialistas autoritários são anti-mercado, também nem todos os libertários socialistas são anti-mercado.

Tradução por Rodrigo Viana. Para ler o artigo original clique aqui.


Sushigoat é um blog que aborda assuntos corriqueiros, bem como anarquismo.

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Um comentário:

Pedro disse...

Perfeito! E tem muita gente, principalmente coxinhas, que acreditam que o anarquismo necessariamente é atrelado ao capitalismo e que anarquistas de esquerda defendem o mesmo ideal o socialismo de estado! Esta gente precisa ler e estudar mais antes de falarem bobagens!